TDAH na escola: 12 estratégias para ajudar alunos na aprendizagem

Manter a atenção durante uma explicação longa, organizar o material escolar, começar uma atividade, lembrar instruções ou permanecer concentrado até terminar uma tarefa podem representar desafios para alguns estudantes com Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH).

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Isso não significa que todos os alunos com TDAH apresentem as mesmas dificuldades.

O transtorno pode se manifestar de maneiras diferentes e fatores como idade, ambiente, características individuais e presença de outras dificuldades também precisam ser considerados.

Na escola, algumas estratégias pedagógicas e de organização podem ajudar a criar condições mais favoráveis para a aprendizagem.

Conheça algumas possibilidades que professores e familiares podem considerar.

1. Divida atividades grandes em pequenas etapas

Imagine que o professor apresente a seguinte orientação:

“Leiam o texto, respondam às dez perguntas, façam um resumo e depois entreguem a atividade.”

Para alguns estudantes, administrar todas essas etapas simultaneamente pode ser difícil.

Uma alternativa é dividir a tarefa.

Etapa 1: leia os dois primeiros parágrafos.

Etapa 2: responda às questões 1 e 2.

Etapa 3: continue a leitura.

O conteúdo não precisa necessariamente mudar. O que muda é a maneira como a atividade é organizada.

Pequenas metas também permitem que o aluno visualize melhor seu progresso.

2. Dê instruções claras e objetivas

Orientações muito longas podem dificultar a compreensão e a memorização.

Sempre que possível, apresente instruções de maneira direta.

Em vez de explicar cinco procedimentos de uma única vez, pode ser mais adequado apresentar primeiro aquilo que deverá ser realizado imediatamente.

Depois, confirme se o estudante compreendeu.

Uma pergunta como “O que você precisa fazer primeiro?” pode ser mais útil do que simplesmente perguntar “Entendeu?”.

3. Utilize recursos visuais

Nem toda instrução precisa ser apenas verbal.

Quadros, listas, imagens, calendários e pequenos roteiros podem ajudar na organização.

O professor pode escrever no quadro:

Hoje vamos fazer:

  1. Leitura;
  2. Atividade;
  3. Correção;
  4. Trabalho em grupo.

O estudante consegue visualizar a sequência e saber o que acontecerá depois.

Esse tipo de organização pode beneficiar não somente alunos com TDAH, mas a turma inteira.

4. Estabeleça uma rotina previsível

Saber o que acontecerá durante a aula pode facilitar a organização.

Isso não significa que todas as aulas precisem ser iguais.

A previsibilidade está relacionada principalmente à existência de uma estrutura compreensível.

Por exemplo:

Início: revisão do conteúdo anterior.

Desenvolvimento: novo conteúdo.

Atividade: exercício individual ou em grupo.

Final: correção e orientação para a próxima aula.

Quando houver uma mudança importante na rotina, avisar antecipadamente pode ajudar.

5. Reduza distrações quando necessário

Alguns ambientes possuem grande quantidade de estímulos.

Conversas, pessoas circulando, objetos, celulares, sons externos e movimentação podem disputar a atenção do estudante.

Dependendo das necessidades do aluno e da organização da turma, o professor pode avaliar um local que facilite a concentração.

Mas é importante evitar transformar isso em isolamento ou punição.

O objetivo é favorecer a aprendizagem.

6. Intercale momentos de explicação e participação

Uma aula baseada exclusivamente em exposição prolongada pode exigir grande tempo de atenção contínua.

Uma alternativa é variar as atividades.

O professor pode explicar um conceito durante alguns minutos e depois apresentar uma pergunta, exercício, exemplo ou atividade prática.

Essa alternância cria oportunidades para o estudante voltar a interagir ativamente com o conteúdo.

7. Utilize jogos com objetivo pedagógico

Jogos podem ser utilizados como recurso complementar em diferentes situações de aprendizagem.

Eles podem envolver desafios, perguntas, pontuação, resolução de problemas, cartas ou atividades em equipes.

O mais importante é que exista um objetivo pedagógico claro.

O jogo não precisa substituir a aula.

Ele pode ser uma das estratégias utilizadas para praticar determinado conhecimento.

Atividades gamificadas também podem permitir que o estudante receba retorno mais rápido sobre seu desempenho.

8. Ofereça feedback mais próximo

Imagine um aluno realizando 30 exercícios e descobrindo somente no final que compreendeu a orientação de maneira equivocada.

Uma intervenção mais cedo poderia evitar grande parte do problema.

Em atividades longas, o professor pode verificar o progresso em determinados momentos.

“Mostre as três primeiras questões.”

Depois da conferência, o aluno continua.

Esse acompanhamento permite identificar dificuldades antes que elas se acumulem.

9. Ajude na organização do tempo

Para algumas crianças e adolescentes, dizer “você tem uma hora para terminar” pode ser uma orientação muito abstrata.

Dividir o período pode facilitar.

Primeiros 15 minutos: leitura.

Próximos 20 minutos: exercícios.

Últimos 10 minutos: revisão.

Relógios, temporizadores e outros recursos visuais também podem ser utilizados quando forem adequados à idade e às necessidades do estudante.

10. Valorize o esforço e estratégias que funcionaram

O feedback não precisa aparecer somente quando alguma coisa dá errado.

Se o aluno conseguiu organizar sozinho o material ou concluir uma tarefa utilizando uma estratégia adequada, isso pode ser reconhecido.

O elogio tende a ser mais informativo quando é específico.

Em vez de apenas:

“Parabéns!”

Experimente:

“Você dividiu a atividade em etapas e conseguiu terminar todas. Essa organização funcionou bem.”

Assim, o estudante consegue identificar exatamente qual comportamento contribuiu para o resultado.

11. Família e escola podem compartilhar informações

Pais e professores observam a criança em ambientes diferentes.

A família pode perceber determinadas dificuldades durante tarefas realizadas em casa.

O professor pode observar outras situações durante as aulas.

A comunicação entre ambos pode ajudar a identificar estratégias que funcionam melhor.

Por exemplo:

“Ele consegue estudar melhor quando utiliza uma lista?”

“Em qual horário apresenta maior dificuldade?”

“Que tipo de atividade consegue manter sua atenção por mais tempo?”

O objetivo não é procurar culpados, mas compreender melhor as necessidades do estudante.

12. Evite interpretar toda dificuldade como falta de interesse

Esse talvez seja um dos cuidados mais importantes.

Um estudante pode saber o que precisa fazer e ainda assim apresentar dificuldade para iniciar ou organizar a tarefa.

Também pode perder materiais, esquecer instruções ou desviar a atenção repetidamente.

Isso não significa automaticamente falta de vontade, preguiça ou desrespeito.

Compreender as dificuldades relacionadas às funções executivas e à atenção pode ajudar professores e familiares a buscar estratégias mais adequadas.

TDAH não significa falta de capacidade

O diagnóstico de TDAH não determina a inteligência de uma pessoa nem estabelece antecipadamente aquilo que ela será capaz de aprender.

Estudantes apresentam habilidades, dificuldades e interesses diferentes.

Uma criança pode ter dificuldade para permanecer concentrada em determinada atividade e demonstrar grande envolvimento em outra.

Por isso, o objetivo das adaptações e estratégias não deve ser reduzir expectativas de aprendizagem.

A proposta é procurar formas de tornar o processo educacional mais acessível às necessidades daquele estudante.

Professores precisam conhecer o aluno

Não existe uma estratégia única que funcione para todas as crianças com TDAH.

Para um estudante, utilizar um recurso visual pode fazer grande diferença.

Outro pode se beneficiar principalmente da divisão das tarefas.

Um terceiro talvez precise de ajuda para administrar o tempo.

Observar, testar estratégias e avaliar os resultados costuma ser mais útil do que aplicar automaticamente a mesma solução para todos.

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Informação confiável faz diferença

O TDAH tornou-se um assunto bastante presente na internet.

Isso trouxe um benefício: mais pessoas começaram a discutir atenção, aprendizagem e dificuldades encontradas por crianças e adultos.

Por outro lado, também aumentou a circulação de simplificações e informações sem respaldo adequado.

Um comportamento isolado não permite concluir que uma criança tenha TDAH.

Distração, inquietação ou dificuldade escolar podem ocorrer por diferentes razões.

O diagnóstico é clínico e deve ser realizado por profissionais habilitados, considerando histórico, sintomas, diferentes ambientes e outros fatores relevantes.

Materiais educacionais podem ajudar pais e professores a compreender o tema, mas não substituem avaliação profissional.

Pequenas mudanças podem melhorar a experiência de aprendizagem

Muitas estratégias utilizadas com estudantes com TDAH são relativamente simples.

Uma instrução mais curta.

Uma atividade dividida em etapas.

Um roteiro visual.

Uma pausa entre tarefas.

Um feedback no momento adequado.

Nenhuma dessas medidas representa uma solução universal.

Mas observar as necessidades do estudante e adaptar a maneira como as atividades são apresentadas pode contribuir para um ambiente de aprendizagem mais organizado e acessível.

O ponto de partida é compreender que ensinar da mesma maneira não significa necessariamente oferecer as mesmas condições de aprendizagem para todos.

Quanto mais professores e familiares conhecem as características do TDAH e as possibilidades pedagógicas existentes, melhores são as condições para avaliar quais estratégias podem funcionar para cada criança.