Inteligência artificial está mudando até a forma como escolhemos o que comer, aponta pesquisa

“O que vou comer hoje?” Uma pergunta aparentemente simples começa a ganhar um novo tipo de resposta.

Em vez de procurar apenas receitas no Google, assistir a vídeos culinários ou abrir um livro de receitas, algumas pessoas estão recorrendo a ferramentas de inteligência artificial (IA) para decidir o que preparar, descobrir combinações de ingredientes e até organizar as refeições da semana.

Uma nova pesquisa analisada pela CNN mostra como a IA começa a participar também das nossas decisões relacionadas à alimentação.

A mudança acompanha a popularização de assistentes capazes de responder perguntas em linguagem natural e criar recomendações personalizadas a partir das informações fornecidas pelo próprio usuário.

IA começa a ocupar espaço na cozinha

Ferramentas de inteligência artificial generativa conseguem realizar tarefas que combinam muito bem com problemas cotidianos relacionados à alimentação.

Imagine abrir a geladeira e encontrar apenas alguns ingredientes.

Em vez de procurar individualmente receitas contendo cada um deles, é possível informar à IA:

“Tenho ovos, arroz, cenoura, tomate e queijo. O que consigo preparar?”

Em poucos segundos, a ferramenta pode sugerir diferentes pratos utilizando esses alimentos.

Também é possível acrescentar condições, como tempo disponível, dificuldade da receita ou número de pessoas que irão comer.

Essa possibilidade de conversar com a tecnologia ajuda a explicar por que algumas pessoas começam a incorporá-la ao planejamento das refeições.

Escolher uma receita pode ficar mais fácil

Uma das vantagens dos sistemas de IA é a capacidade de trabalhar com várias informações simultaneamente.

Uma pessoa pode pedir, por exemplo, uma sugestão de jantar que seja rápida, barata e utilize somente os ingredientes disponíveis em casa.

A ferramenta consegue reorganizar as recomendações conforme novas condições são apresentadas.

Se uma receita incluir um ingrediente que a pessoa não possui, basta informar isso e solicitar uma alternativa.

Essa dinâmica é diferente de uma busca tradicional, na qual geralmente precisamos abrir diferentes páginas até encontrar uma receita compatível com aquilo que procuramos.

Planejamento semanal é outra possibilidade

A inteligência artificial também pode ajudar quem prefere organizar antecipadamente aquilo que pretende comer durante a semana.

É possível solicitar sugestões para café da manhã, almoço e jantar e depois transformar essas informações em uma lista de compras.

Uma família poderia informar, por exemplo:

  • quantidade de pessoas;
  • alimentos disponíveis;
  • orçamento aproximado;
  • preferências alimentares;
  • alimentos que deseja evitar;
  • tempo disponível para cozinhar.

A partir dessas informações, a IA consegue organizar sugestões.

Isso não significa que todas serão necessariamente adequadas. O usuário ainda precisa avaliar as recomendações e fazer os ajustes necessários.

Menos desperdício de alimentos?

Outro uso interessante é descobrir o que fazer com ingredientes que estão próximos do vencimento.

Sobrou arroz do almoço? Existem algumas verduras na geladeira? Uma fruta está ficando madura demais?

Essas informações podem ser apresentadas à IA para receber ideias de aproveitamento.

A tecnologia pode sugerir receitas que utilizem prioritariamente aquilo que já está disponível.

Na prática, esse tipo de utilização pode contribuir para reduzir desperdícios, desde que as condições de conservação e segurança dos alimentos sejam respeitadas.

A inteligência artificial não consegue verificar fisicamente se determinado alimento armazenado na sua cozinha ainda está adequado para consumo.

IA também pode influenciar nossas escolhas

Existe, porém, outro lado dessa facilidade.

Quando uma ferramenta passa a recomendar receitas e alimentos, ela também pode exercer alguma influência sobre aquilo que decidimos consumir.

Isso já acontece de outras maneiras no ambiente digital.

Vídeos de receitas, influenciadores, anúncios, aplicativos de entrega e recomendações de plataformas ajudam a determinar quais alimentos ganham nossa atenção.

A inteligência artificial acrescenta uma nova camada porque consegue oferecer respostas aparentemente personalizadas.

Quanto mais específica for a pergunta, mais direcionada poderá parecer a recomendação.

Personalização é um dos grandes atrativos

Imagine duas pessoas perguntando:

“Qual jantar devo preparar hoje?”

Sem outras informações, a resposta provavelmente será genérica.

Agora imagine que uma delas informe que possui apenas 30 minutos, precisa preparar comida para quatro pessoas e tem determinados ingredientes em casa.

A outra diz que mora sozinha, não sabe cozinhar e possui apenas uma panela e um forno.

A IA pode produzir respostas completamente diferentes.

Essa personalização por meio da conversa é uma das principais diferenças entre sistemas de IA generativa e mecanismos tradicionais de pesquisa.

IA pode substituir um nutricionista?

Não.

Existe uma diferença importante entre sugerir uma receita e fornecer orientação nutricional individualizada.

Uma ferramenta de IA pode ajudar a encontrar ideias para preparar alimentos, organizar uma lista de compras ou adaptar uma receita.

Entretanto, necessidades nutricionais podem depender de fatores como idade, condições de saúde, medicamentos, composição corporal, rotina e objetivos individuais.

Quando existe necessidade de acompanhamento alimentar relacionado à saúde, a avaliação de um profissional qualificado continua sendo importante.

Restrições alimentares exigem atenção

O mesmo cuidado vale para alergias e outras restrições.

Se uma pessoa informar que possui alergia a determinado ingrediente, a IA pode tentar adaptar uma receita.

Mas isso não elimina o risco de erros.

Produtos industrializados podem conter ingredientes ou traços de substâncias alergênicas que não são óbvios pelo nome do produto.

Além disso, ferramentas de inteligência artificial podem gerar informações incorretas.

Por isso, pessoas com alergias alimentares devem continuar verificando rótulos, ingredientes e orientações profissionais adequadas.

Nem toda receita criada pela IA funciona

Esse é outro detalhe que muitas vezes é esquecido.

Uma inteligência artificial consegue produzir um texto que parece uma receita perfeitamente plausível, mas isso não significa que aquela preparação tenha sido realmente testada.

Quantidade de ingredientes, temperatura, tempo de forno e técnicas culinárias podem apresentar erros.

Em receitas simples, isso pode resultar apenas em uma refeição que não ficou boa.

Em situações envolvendo conservação, cozimento adequado de carnes ou outros aspectos relacionados à segurança alimentar, porém, seguir uma orientação incorreta pode representar um problema maior.

Receitas geradas por IA devem, portanto, ser avaliadas com bom senso.

Google, redes sociais e IA podem coexistir

A chegada da inteligência artificial não significa necessariamente o desaparecimento das formas tradicionais de procurar receitas.

Sites especializados possuem uma vantagem importante: muitas receitas foram preparadas, testadas e avaliadas por outras pessoas.

Vídeos também permitem visualizar técnicas que seriam difíceis de compreender apenas por meio de uma descrição.

A IA pode funcionar como uma etapa complementar.

Ela ajuda a encontrar ideias, adaptar ingredientes ou organizar opções, enquanto fontes culinárias confiáveis podem ser utilizadas para confirmar como determinado prato deve ser preparado.

A inteligência artificial está entrando nas pequenas decisões

Grande parte da discussão sobre inteligência artificial costuma envolver questões como mercado de trabalho, programação, educação e produtividade.

Mas talvez uma das maiores transformações esteja acontecendo justamente nas tarefas mais comuns.

Escolher uma receita.

Organizar uma viagem.

Preparar uma lista de compras.

Decidir o que estudar.

Comparar produtos.

Planejar uma rotina.

A escolha da comida é apenas mais um exemplo de como sistemas de IA começam a participar de decisões que antes dependiam principalmente de pesquisas, recomendações de outras pessoas ou hábitos pessoais.

O futuro da cozinha pode incluir um assistente de IA

À medida que essas tecnologias evoluem, é possível que sua integração com o cotidiano se torne ainda maior.

Uma IA conectada a uma lista de compras, por exemplo, poderia sugerir receitas utilizando aquilo que já foi adquirido.

Sistemas integrados a eletrodomésticos poderiam adaptar instruções às características específicas de cada equipamento.

Aplicativos também podem combinar informações sobre preços, disponibilidade de produtos e preferências informadas pelo usuário.

Algumas dessas possibilidades já começam a aparecer em diferentes serviços.

Mas a responsabilidade pela decisão final continua sendo humana.

A inteligência artificial pode apresentar opções, organizar informações e facilitar escolhas. Ainda cabe ao usuário decidir o que realmente faz sentido colocar no prato.

Tecnologia pode ajudar, mas não precisa decidir por você

Utilizar inteligência artificial para escolher uma receita ou aproveitar melhor os ingredientes disponíveis pode ser bastante conveniente.

A tecnologia é especialmente útil quando funciona como uma ferramenta para ampliar possibilidades.

O cuidado começa quando suas respostas passam a ser interpretadas como necessariamente corretas.

Uma sugestão apresentada de maneira convincente ainda pode conter erros.

Por isso, a melhor utilização talvez esteja no equilíbrio: aproveitar a rapidez e a capacidade de personalização da IA sem abandonar fontes confiáveis, experiência pessoal e orientação profissional quando necessária.

Da próxima vez que você abrir a geladeira e não souber o que preparar, portanto, perguntar para uma inteligência artificial pode render algumas ideias interessantes.

Só não é necessário entregar completamente a ela a decisão sobre o que vai para o seu prato.

Fonte: conteúdo elaborado a partir do tema apresentado em reportagem da CNN Brasil sobre pesquisa relacionada ao uso da inteligência artificial nas escolhas alimentares.